domingo, 25 de setembro de 2011

Psicóloga suíça quer quebrar o tabu do orgasmo

A psicóloga suíça Andrea Burri é conhecida há dois anos. Suas pesquisas sobre o comportamento sexual, especialmente o orgasmo feminino, foram amplamente divulgadas pela mídia. Ela afirma que as mulheres que têm uma inteligência emocional tem uma vida mais prazerosa. O ponto G? Uma quimera. A pesquisadora de 31 anos vive atualmente em Londres, onde continua suas pesquisas. Seus trabalhos sobre a sexualidade feminina tornaram-se conhecidos em 2009, quando começou a falar abertamente do orgasmo feminino. Andrea Burri, nasceu em Berna, capital suíça, e estudou em Zurique. Ela já é considerada uma especialista de comportamento e disfunções sexuais. Recentemente ela declarou que a orientação sexual das mulheres depende de uma combinação genética, hormonal e da educação. Uma fascinação Seus estudos sobre o orgasmo suscitaram controvérsia, especialmente quando afirma que o misterioso ponto G reivindicado por algumas mulheres só existe na imaginação delas. Durante suas pesquisas em psicologia clínica na Universidade de Zurique, ela rapidamente dedicou-se a estudar os comportamentos sexuais. “A depressão, como a anorexia, me interessavam, mais o sexo ainda mais”, explica. Sua fascinação provém da discrepância entre a atitude da sociedade em relação ao sexo e os complexos das pessoas comuns. “Todo mundo fala de sexo, o sexo está por todo lado, nas revistas e na televisão, mas para muita gente continua a ser um assunto proibido. Os não especialistas que devem falar dos meus estudos, às vezes ficam muito incomodados. Como é possível falar tanto de um assunto que continua sendo um tabu?” Estigma Andrea Burri fez mestrado na Alemanha, porque na Suíça não havia o ramo das ciências sexuais. Aliás, alguns de seus professores suíços tentaram dissuadi-la de prosseguir seus estudos dos comportamentos sexuais. “Eles receavam que eu fosse estigmatizada pelo meu trabalho. Mas eu era meio rebelde naquela época e então fui para Hamburgo.” E então a psicóloga foi mesmo estigmatizada? “Era antes chato porque, frequentemente, não te levam a sério nessa área. Eu utilizo a mesma metodologia aplicada nas pesquisas sobre o câncer, mas minha área não é considerada como apropriada ou, de certa maneira, séria.” Concretamente, o que ocorre é uma dificuldade constante de encontrar recursos para financiar as pesquisas sobre a sexualidade. “De um lado, é fácil fazer carreira porque não somos muito numerosos. De outro, nem sempre consigo financiamento e é uma luta permanente.” Pesquisa com 3000 mulheres Andrea Burri trabalha há quatro anos em Londres, dividindo seu tempo entre a Queen Mary University e o King’s College. Seus principais centros de interesse são a genética da orientação sexual e os distúrbios sexuais femininos. Ela conta que são áreas quase inexploradas na população feminina e que os estudos existentes são de má qualidade e pouco amplos. “Em minhas pesquisas acerca das disfunções do orgasmo, encontrei estudos sobre o famoso ponto G, mas me dei conta que havia pouquíssimos estudos e com amostras muito pequenas de população. Achava irresponsável clamar a existência de uma entidade que jamais foi provada e, em certos casos, era baseada em apenas 30 mulheres no mundo.” A psicóloga acrescenta que a maioria dos estudos tentaram localizar o ponto G utilizando ecografias. Ela criou sua própria equipe de pesquisa no King’s College de Londres para determinar a existência dessa zona erógena. Não houve exame físico. Mais de 3000 mulheres, todas verdadeiras ou falsas gêmeas, responderam a um questionário, e especialmente se elas pensavam que a vagina continha essa pequena zona sensível. Conclusão : o ponto G não existe como zona anatômica localizada. Esse é o mais importante feito até agora e foi publicado pelo Journal of Sexual Medicine em 2010 e teve repercussão na mídia internacional. Pressão da sociedade Mesmo que a educação psicossexual não seja desenvolvida atualmente, Andrea Burri continua preocupada pela pressão exercida sobre os homens e as mulheres pela maneira como a sociedade considera o sexo. “A maneira como o sexo é apresentado na mídia e nos filmes cria frequentemente uma base de comparação que nem sempre é realista para o indivíduo. Há variações naturais e certas mulheres terão um apetite sexual mais desenvolvido que outras. Mesmo se os adultos parecem mais conscientes de sua sexualidade, isso pode ser contraproducente.” Nos últimos anos, a psicóloga observou um aumento da taxa de disfunção sexual feminina. “Um dos fatores do diagnóstico é um sentimento de abandono. Mas qual é causa desse sentimento? É a condição real ou o que você pensa que é o que esperam de você e que você começa, então, a esperar de você mesmo?”, questiona a psicóloga suíça.

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